Estou à flor da pele Meu corpo ainda quente Sente o teu frio Vejo seu vestido florido que tentava cobrir as belas pernas Não coloquei em você a sapatilha De pompom, metalizada Sua mão me carregava Para os chocolates e sorvetes Batons Bering, o s Garotos de hoje Barras de fino chocolate com baunilha gelada Era nosso segredo, Dos muitos, da Praça Nunca gostei que você dormisse Não gosto agora Nem que fosse para escola Só dos cadernos de botânica Flores e folhas secas descritas Azáleas que eu pegava com você Bolos “amarradinhos” Pedaços saboreados com Diabinese Empáfia, valores, ousadia Sabedoria do viver Saia curta, unhas longas, pernas torneadas Rock, bolero, samba Ed Lincoln na vitrola, Cuba-libre, Ray - fie
“Chão de Estrelas” espelhando As calcinhas das dançarinas Hoje tudo mistura, fumaça do cigarro longo Orlandivo, Maysa, Jorge Ben Passado alegre, em carne viva Não vou deixar de ter ver! Vou deixar você dormir! Dentro da bolsa de macramê, Está minha saudade.
Nossa forma de amor, É por vezes tão delicada: De namoro, de infantilidades, Outras vezes tão carnal: De tesão, de futilidades, Acabo me desconhecendo... Nessa mistura de sentimentos... Atos loucos, devassos... Perco-me, encontro -me... Fico a deriva e lembro de Voltaire: “As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveria viagens nem aventuras nem novas descobertas”. Assim, sossego e espero o vento...
Tenho uma valentia que apavora Uma impulsividade que encoraja Uma passionalidade que amedronta. E sou tão frágil como a taça de cristal que ampara o vinho tinto. ao quebrar rompe minhas veias, misturando as moléculas, esquentando o sangue. Transformando, desequilibrando, mudando de posição a vida, sem poder colocá-la na estante... Não tenho esse direito!
Doida linda Quando vc me chama assim Percebo que meus fios soltos, Desencapados, desconectados... Percebo dia e noite, sol e lua, Loucura e razão Chuva, frio, edredom. Vestido sem calcinha Conexões defeituosas De uma vida inteira Anos de instalação Força e lágrima Feijão e poesia Complementos do Brasil Ritmo e carioquice Medo da ópera ensaiadinha Textos soltos e densos Voz farta e verdadeira Nada de princesa ou moleca Rainha louca, doida linda! Fios soltos da paixão Rainha de marés e luas Céu de sol e de estradas Embreagens velozes Todos os fios conectam um ser assim, Indivisível e dual Desafinada com a maioria Solidão e companhia Alma livre, coração preso Incongruência. O sempre e o talvez E que se danem os nós! 02/05/2008 Cris Dufrayer
Pra te ganhar Dei sujesta em vagabundo Dei a volta pelo mundo Eu mergulhei fundo sem medo de errar E você fica nessa querendo esnobar Meu amor que é tão profundo Ta na hora de parar com isso Eu jogo um feitiço pra te apaixonar
Tomara que você me entenda Ou eu faço oferenda Pro meu orixá Já é hora de parar com isso Ou eu jogo um feitiço pra te apaixonar
Eu escrevo teu nome menina E despacho na esquina se o santo mandar ta na hora de parar com isso Ou eu faço feitiço pra te apaixonar
Eu boto um litro de cachaça Farofa de mel e dendê Na rua onde você passa Feitiço pra amarrar você
Que a minha vida não tem graça Não quero/posso mais viver assim Então deixa de pirraça Eu quero teu amor pra mim
Se até dez horas da noite você não voltar Eu boto meu povo na rua pra te procurar Se até dez horas... Se até dez horas da noite você não voltar Eu boto meu povo da rua pra te procurar
Minha paixão é verdadeira Eu quero você por inteira...
Eu não sei escolher Não sei escolher a hora certa Não sei escolher as palavras Não tenho bom senso Não sei se quero maçã ou pêra Mas uva com certeza eu quero Não sei escolher os momentos As caras, as posições Não, definitivamente, não sei escolher as pessoas Não sei se quero azul ou amarelo Mas vermelho com certeza eu quero Ansiedade, impulsividade, emoção Não sei escolher a frieza dos tempos da neve Não sei escolher o casaco, não sei escolher o frio Intensidade, efervescência, paixão Não, definitivamente, não sei escolher Não sei escolher entre os pés e as mãos Mas o meu coração com certeza, sei escolher Entre ele e a razão Pensamentos serpenteiam Atitudes pulam como cobras famintas Pergunto: onde ficou a tolerância? Não sei escolher... Não sei, entre cobra ou sapo! 14/06/2009 Cris Dufrayer
Gosto de viver... Gosto de ser feliz... Gosto de harmonia entre as pessoas... Gosto da filha que tenho... Gosto de ter a casa arrumada... Gosto do cheiro da terra, quando chove... Gosto de ir ao cabeleireiro... Gosto de sossego... Gosto de gestos carinhosos e palavras amáveis... Gosto de musica e dança... Gosto de usar roupas sensuais... Gosto de rir, mas por vezes gosto de chorar... Gosto de África... Gosto de boa música... Gosto de estar no meu computador... Gosto de usar pulseiras, brincos... Gosto de ser sincera... Gosto do amarelo do vermelho, do preto e do branco... Gosto do sol quente e do mar... Gosto do mundo... Gosto de respirar e sentir perfume de rosas vermelhas...
Sinto-me vazia e tudo me desinteressa. Não era assim, fiquei assim... A inspiração cortou a volta e deu-me adeus com suas mãos cheias do que estava em mim. E aqui fiquei vazia, cheia de nada, duvidando, me secando. Seca por dentro fiquei, soprando as partes ocas que em mim ficaram e desvaneci...assim...
Deixei de entender Do meu oficio Plano, foco Centralização Fotografia Cor, (des)foco
A tela suga Fascina Películas Digitais Focalizam Ameixas Agora colhidas Delicadeza Desejos “Isso é coisa de cinema”, diz a moça que passa, balançando a cabeça.
AUTO RETRATO
TENHO QUE CONFESSAR QUE EU GOSTO DE MIM ASSIM:
FORTE, MEIGA, LINDA, DOIDA, DERRETIDA, PODEROSA,
FEROZ, PERDIDA, LOUCA, ABUSADA, PASSIONAL, ILUMINADA.
TRABALHANDO SEM PARAR, PENSANDO SEM PARAR,
CANSADA DAS GRANDEZAS DO MUNDO.
GOSTO!
GOSTO DA MINHA LOUCURA PERVERTIDA QUE ENCONTREI NA ESTRADA.
LOUCURA SADIA E BEM INTENCIONADA DE LUCIDEZ E DE BRAVURA.
GOSTO DE TER ORGULHO E DE PERDÊ-LO QUANDO ME CONVÉM.
GOSTO DA MINHA ESCALA DE VALORES, DA MINHA MANEIRA DE CONDUZIR A PAIXÃO
E DE TODAS AS FORMAS DE BUSCAR VC.
GOSTO DESTA CAPACIDADE INFINITA DE RENASCER,
MESMO QUE FERIDA OU TENDO A ASA QUEBRADA,
POSSA ALÇAR VÔOS E LHE TRAZER COMO UMA ÁGUIA TRAZ SEU FILHOTE..
GOSTO DA INFINITA INDELICADEZA DO SER E DAS MUITAS VEZES QUE PRECISEI MORRER, PORQUE UM ALGUÉM PRECISA DESTA CERTEZA PARA CONTINUAR
ACREDITANDO EM VOCÊ.
GOSTO DA MINHA PUREZA QUE BRINCA DE IGUAL PARA IGUAL,
DA MINHA INGENUIDADE,
DA MINHA CRENÇA EM VOCÊ,
QUE NÃO CONSEGUE ESTABELECER OS LIMITES DA DOR
E DEFINHA E PERDE NOITES.
GOSTO DA MINHA DISPOSIÇÃO IMENSURÁVEL DE AMAR
E RESGATAR QUANTAS VEZES FOR PRECISO,
O GOSTO DO AMOR E DA PAIXÃO,
SEM OS QUAIS EU ESTARIA MORTA.
GOSTO DE SER HUMANA ASSIM, CHEIA DE DEFEITOS DE FÁBRICA E ÓDIOS.
GOSTO DE MIM DE VERDADE, ME PERDOO E ME ACALENTO.
CHORO, BERRO, GRITO E CLAMO COMO QUALQUER UM.
DEPOIS, PENSO E ESPERO.
GOSTO DO TEMPO,
QUE ÀS VEZES COMO UM INIMIGO,
LEVA OS PLANOS E OS SABORES
DAS MINHAS ENTRANHAS PARA BEM LONGE.
GOSTO DOS MEUS PECADOS, DAS MINHAS ORAÇÕES,
DOS MEUS SANTOS, DAS MINHAS BRUXAS.
GOSTO DOS ANJOS E DOS DEMÔNIOS QUE TENHO DENTRO DE MIM.
E FICO ATÉ PERPLEXA DE TER PENA DOS DEMÔNIOS...
GOSTO DE CÉU AZUL, DE SOL, DE VELHINHOS, DE PRAIA, DE CRIANÇAS,
DE GENTE DE MÃOS DADAS, DE OLHOS NOS OLHOS, DE GENTE APAIXONADA,
DE SONHAR, DE RIR, DE PERFUMES, DE FLORES, DE PALAVRAS,
DE VERDADES PROVISÓRIAS E MENTIRAS INABALÁVEIS.
EU GOSTO DE MIM DE VERDADE, ASSIM MESMO!
CERTA E ERRADA, MAS HUMANA.
SEM NUNCA, MAS NUNCA MESMO, DEIXAR DE AMAR A VIDA.
22/04/2008